Estética Masculina: O Mercado Bilionário Que Seu Salão Pode Estar Ignorando
Brasil é o 2o maior mercado global de estética masculina. Homens já são 30% da clientela de clínicas — e mais de 70% aumentaram seus cuidados pessoais.
O Brasil é o segundo maior mercado global de estética masculina, e os números confirmam uma transformação que já não pode ser tratada como nicho: homens representam 30% da clientela de clínicas de estética no país, segundo dados do setor. Mais de 70% dos homens brasileiros afirmam ter aumentado seus cuidados pessoais nos últimos anos, de acordo com pesquisa da Mintel.
Apesar desses números, a maioria dos salões e clínicas de estética continua operando como se seu público fosse exclusivamente feminino. A comunicação visual, a ambientação, a linguagem de marketing e até os protocolos de atendimento foram desenhados para mulheres. O resultado é um mercado bilionário sendo atendido de forma improvisada — e um público crescente que se sente deslocado nos espaços que deveria frequentar com naturalidade.
O mercado de beleza masculina movimentou cerca de R$ 78,6 bilhões em 2023, segundo a Abihpec, e projeta crescimento anual de 9,1% até 2030. Os profissionais que entenderem o que esse público realmente busca — e ajustarem sua oferta — terão uma vantagem competitiva substancial nos próximos anos.
O que o cliente masculino realmente quer#
O primeiro equívoco sobre o público masculino de estética é imaginar que ele busca os mesmos resultados que o público feminino. Pesquisas consistentes mostram que homens buscam uma estética de "parecer saudável e descansado" — não "produzido" ou visivelmente tratado. É o mesmo princípio da quiet beauty, mas amplificado pela pressão social que muitos homens ainda sentem ao frequentar espaços de beleza.
Os procedimentos mais buscados refletem essa mentalidade: tratamentos de pele para reduzir oleosidade e marcas de acne, harmonização facial discreta, cuidados capilares contra queda e calvície, e manutenção de barba com produtos profissionais. Perfumes lideram as compras com 65% de adesão, seguidos por shampoo e condicionadores (63%), cuidados com barba (40%) e cremes corporais (30%).
O segundo equívoco é achar que homens não fidelizam. Na verdade, o cliente masculino tende a ser extremamente leal quando encontra um profissional que o atende bem. Ele não gosta de pesquisar alternativas, prefere uma rotina previsível e valoriza a praticidade acima de tudo. Conquistar esse cliente uma vez frequentemente significa mantê-lo por anos.
O cliente masculino não quer ser convencido a cuidar da aparência — ele já decidiu. O que falta é um espaço onde ele se sinta bem fazendo isso.
O ambiente que afasta e o ambiente que atrai#
Muitos homens que gostariam de fazer tratamentos estéticos desistem antes de agendar — não pelo preço ou pela falta de interesse, mas pelo ambiente. Salões com decoração ultra feminina, revistas voltadas exclusivamente para mulheres na recepção e atendentes que tratam o cliente masculino como exceção criam uma barreira invisível que a maioria dos profissionais sequer percebe.
A solução não é criar um espaço exclusivamente masculino — é criar um espaço neutro e acolhedor. Barbearias modernas entenderam isso antes das clínicas de estética: ambientes com design limpo, atendimento direto e sem condescendência, e uma experiência que respeita o tempo e o estilo de comunicação do cliente.
Para profissionais que já atendem em salões ou clínicas existentes, pequenos ajustes fazem diferença desproporcional: ter ao menos um horário dedicado ao público masculino, usar uma linguagem de comunicação nas redes sociais que inclua homens naturalmente, e treinar a equipe para tratar esse público com a mesma naturalidade que trata o feminino.
Modelos de assinatura: a barbearia ensinou, a estética pode copiar#
Uma inovação que está ganhando tração no mercado masculino são os modelos de assinatura. Redes de barbearias como a Barbearia Hora lançaram clubes de vantagens com serviços ilimitados por mensalidade fixa — um formato que fideliza, garante receita recorrente e simplifica a decisão de compra para o cliente.
O modelo funciona porque resolve duas dores do público masculino: a previsibilidade financeira ("sei quanto vou gastar por mês") e a praticidade ("não preciso pensar se devo ou não ir"). Para o profissional, a assinatura transforma clientes esporádicos em frequência garantida e permite planejar a agenda com mais precisão.
Profissionais autônomos podem adaptar esse conceito sem a complexidade de um clube formal. Um pacote mensal que inclua dois cortes e uma sessão de tratamento facial, por exemplo, com desconto em relação ao preço avulso, cria o mesmo efeito de fidelização. A chave é oferecer conveniência com percepção de economia — exatamente o que o público masculino mais valoriza.
Marketing para homens: menos estética, mais resultado#
A comunicação de marketing para o público masculino de estética precisa falar uma língua diferente. Enquanto o público feminino responde bem a conteúdos sobre autocuidado, rituais e experiências sensoriais, o masculino tende a se engajar mais com resultados práticos, dados objetivos e depoimentos de outros homens.
"Protocolo de limpeza de pele que reduz oleosidade em 60%" funciona melhor que "ritual de skincare para uma pele radiante". "Tratamento capilar com 85% de satisfação" engaja mais que "cuide dos seus fios com carinho". Não é que homens não se importem com cuidado pessoal — é que a porta de entrada para eles é a eficácia, não a emoção.
Nas redes sociais, antes e depois discretos, vídeos curtos mostrando o procedimento de forma direta e depoimentos de clientes masculinos são os formatos que mais convertem. O erro mais comum é usar a mesma estratégia de conteúdo para ambos os públicos — o que funciona para atrair mulheres raramente funciona para atrair homens, e vice-versa.
O profissional que se posicionar agora sai na frente#
Com crescimento projetado de 9,1% ao ano até 2030, o mercado de estética masculina não é uma aposta — é uma tendência consolidada com dados robustos. Profissionais que se posicionarem como referência para esse público agora, enquanto a maioria ainda improvisa, constroem uma base de clientes leais antes que a concorrência acorde.
Não é preciso reinventar o negócio. Ajustar a comunicação, adaptar o ambiente, criar um ou dois pacotes pensados para o público masculino e tratar esse segmento com a seriedade que os números justificam já representa um diferencial significativo em um mercado onde a maioria ainda trata homens como visitantes acidentais.
Um terço dos seus potenciais clientes são homens. Se seu marketing, seu espaço e seu atendimento não falam com eles, não é o mercado que está ausente — é a sua oferta.
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